
Conhecido por personagens carismáticos e populares, o ator mergulha agora em uma das experiências mais desafiadoras de sua trajetória ao dar vida a Asa Branca, ícone do universo sertanejo e figura lendária que marcou gerações de locutores, peões e apaixonados pelo rodeio brasileiro.
No cinema, Simas assume um personagem ambíguo, sedutor, expansivo e visceral — alguém que vive como se o amanhã fosse uma hipótese distante. Para o ator, esse foi exatamente o ponto de atração: a distância absoluta entre ele e o homem que precisava construir.
“Eu gosto de desafios e personagens que estejam distantes da minha personalidade”, afirma Felipe. “O Asa é quase o extremo oposto de mim.”
VIVER COMO SE O TEMPO FOSSE FINITO
Asa Branca não economizava energia. Viveu intensamente porque entendeu, cedo demais, que a vida pode acabar a qualquer instante. Um acidente brutal — quando foi pisoteado por um touro — mudou para sempre sua percepção de existência. Para Felipe Simas, essa consciência da finitude explica a força quase incontrolável que Asa carregava.
“Quem vive no extremo, como um peão de rodeio ou alguém que já esteve muito perto da morte, passa a enxergar a vida de outra forma. Ela passa a valer muito enquanto se vive.”
Essa intensidade é o fio condutor do filme. Asa Branca não apenas viveu o sucesso com velocidade vertiginosa, como também enfrentou quedas profundas, sem medo de olhar para o abismo.
UM ÍCONE, UMA LENDA, UMA TRANSFORMAÇÃO
Ao se aprofundar na história de Asa Branca, Felipe descobriu algo maior do que um personagem: uma lenda viva. Durante as filmagens, relatos de pessoas que conviveram com o locutor reforçavam a ideia de uma energia impossível de conter.
Mais do que fama, Asa tinha um propósito: transformar a realidade do rodeio brasileiro. Ele pensou, articulou e se dedicou intensamente para essa mudança — com a mesma força com que viveu seus excessos.
“A mesma energia que ele usou para transformar o rodeio foi a energia com que ele gastou tudo o que conquistou. Ele subiu muito rápido, mas a queda também foi muito grande.”
É exatamente nesse contraste entre ascensão e queda que o filme encontra sua potência dramática.
A CONSTRUÇÃO DE UM PERSONAGEM EXTREMO
A transformação de Felipe Simas em Asa Branca foi intensa e acelerada. Com pouco tempo de preparação, o ator precisou acessar rapidamente a essência do personagem. A caracterização estética, conduzida por Marcos Freire, foi apenas o ponto de partida.
O verdadeiro desafio estava na construção da energia: inconformada, pulsante, indomável. Elementos trazidos pelo diretor Guga Sander e pela preparadora Nanda ajudaram a moldar esse espírito inquieto, típico de quem vive na adrenalina constante do rodeio.
“A gente buscou algo maior do que a semelhança física. Buscamos a energia do Asa.”
UM FILME SOBRE SONHAR, CAIR E CONTINUAR
Mais do que contar uma história, Felipe Simas acredita que Asa Branca é um convite ao público brasileiro para voltar a sonhar. Para ele, o personagem representa o arquétipo do homem que ousou desejar grande — mesmo pagando um preço alto por isso.
“Eu espero que o público se apaixone pela vida e volte a sonhar.”
Asa Branca foi intenso, apaixonado e inconformado. Viveu com verdade, errou com força e marcou para sempre a história do rodeio nacional. E é essa humanidade crua, sem filtros, que Felipe Simas entrega ao cinema — em uma atuação que reafirma sua maturidade artística e coragem como ator.
FELIPE SIMAS
ENTRE O HOMEM E A LENDA
Na edição special da Adams Magazine, Felipe Simas surge não apenas como protagonista de um grande filme, mas como um artista disposto a atravessar limites, explorar extremos e contar histórias que falam diretamente com a alma do Brasil.
Uma capa sobre vida vivida no máximo, sonhos grandes demais para caber no medo — e a beleza de continuar acreditando, mesmo depois da queda.