DO OUTRO LADO DO MUNDO

Quando a lua de mel deixa de ser uma viagem e se transforma em conexão, intensidade e verdade.

25/03/2026 às 16h01
Por: Afonso Braga Neto
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DO OUTRO LADO DO MUNDO

Escolher o destino da lua de mel é, talvez, uma das decisões mais simbólicas que um casal toma após o casamento. Não se trata apenas de escolher um lugar bonito,  trata-se de escolher como será o primeiro capítulo dessa nova fase a dois.
Eu e Isabela decidimos ir além do óbvio.
Durante 40 dias, atravessamos o mundo em busca de algo que não caberia em roteiros prontos: presença, conexão e experiências reais. Escolhemos destinos que nos tirassem completamente da nossa zona de conforto, e encontramos exatamente o que procurávamos em dois países que nos marcaram profundamente: a Tailândia e o Vietnã.

Tailândia: onde o inesperado vira memória

A Tailândia foi o início de tudo. E talvez por isso tenha sido tão especial.
Mas não foram apenas as paisagens que nos marcaram, foram os detalhes. Aqueles que não se planejam.
Como o dia em que resolvemos pedir comida de rua sem entender absolutamente nada do cardápio. Resultado: um prato tão apimentado que virou uma cena digna de filme… e uma das nossas maiores risadas da viagem.
Ou quando alugamos um barco imaginando um roteiro estruturado e nos vimos em um passeio completamente improvisado, com paradas inesperadas, que acabaram sendo, sem dúvida, alguns dos momentos mais lindos que vivemos.
A Tailândia tem essa força: ela quebra expectativas. E quando as expectativas caem, a experiência ganha espaço.
Foi ali que começamos a desacelerar. A olhar mais um para o outro. A simplesmente estar.

Vietnã: quando sair do controle aproxima

O Vietnã foi intensidade.
Se na Tailândia fomos acolhidos, no Vietnã fomos provocados,  e isso mudou tudo.

Hanói nos ensinou algo curioso: atravessar a rua virou um exercício de confiança. Você simplesmente vai… e acredita que tudo vai fluir. E flui.
Teve também o clássico momento de se perder. Procurávamos um restaurante específico e acabamos em um lugar totalmente local, onde ninguém falava inglês. A comunicação foi no olhar, nos gestos, e, no fim, foi uma das experiências mais autênticas e engraçadas da viagem.
E Hoi An… difícil descrever. Caminhar à noite, entre lanternas, parecia uma cena de cinema mas com a leveza de saber que aquilo era real, nosso, vivido.
Foi no Vietnã que tivemos algumas das conversas mais profundas da nossa vida.
Porque quando você sai completamente do controle… você se aproxima do essencial.

Por que ir para o outro lado do mundo?

Existe algo muito poderoso em escolher um destino distante.  Até mesmo, em alguns momentos, inóspito.
Não é sobre luxo. Não é sobre status.
É sobre: sair da rotina, silenciar o mundo externo, criar memórias que não se repetem e, principalmente, se reconectar.
Quando você está longe de tudo, sem referências, sem distrações… sobra apenas o que importa.
E isso muda tudo.

O que ficou depois de 40 dias

Ficaram as paisagens, sim.
Mas ficaram principalmente os detalhes que não cabem em fotos:
As risadas no meio dos pequenos “perrengues”, as conversas longas sem pressa, os silêncios que diziam tudo e a sensação de estar vivendo algo único.
A lua de mel com a Isabela não foi apenas uma viagem.
Foi um mergulho. Um reencontro. Um começo.
Porque no fim, não é sobre o destino.

É sobre quem você se torna ao longo do caminho, e sobre quem está ao seu lado enquanto isso acontece.

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