
Curitiba volta a ocupar um lugar de destaque no cenário criativo nacional com um projeto que vai muito além de um desfile. No dia 09 de abril, o Museu Oscar Niemeyer, um dos maiores complexos culturais da América Latina, se transforma em passarela e experiência sensorial para a apresentação da nova coleção de Rafael Chaouiche.
À frente da CHAOUICHE, o estilista lança “Olhar Interior”, uma coleção que nasce de um movimento pouco comum na moda: o de buscar inspiração não no mundo externo, mas no universo íntimo. É uma proposta que dialoga diretamente com o tempo presente, em que identidade, percepção e autenticidade se tornam protagonistas.

A escolha do museu não é apenas estética, é conceitual. A icônica rampa que leva ao “Olho” se transforma em extensão da coleção, criando uma fusão entre arquitetura, moda e arte. As curvas do espaço encontram eco nas silhuetas estruturadas das peças, conduzindo o público por um percurso visual que é, ao mesmo tempo, físico e simbólico.
A cenografia, assinada por Priscilla Muller, reforça esse diálogo ao transformar o trajeto em um convite quase intuitivo à introspecção. Já a trilha sonora de Eli Iwasa imprime ritmo e intensidade à narrativa do desfile, enquanto a beleza, desenvolvida pela equipe Vimax Beauty sob direção de Viktor Gonçalves e Thiago Straub, traduz visualmente a essência da coleção.
Com cerca de 80 a 100 referências, “Olhar Interior” apresenta uma construção ampla e versátil. As peças transitam com naturalidade entre o casual urbano, o confortwear sofisticado, o pre-party e a moda festa, acompanhando o ritmo da vida contemporânea, do início do dia a eventos de gala.
Os materiais reforçam esse equilíbrio entre estrutura e fluidez: tricôs estruturados produzidos em Curitiba, sarja 100% algodão, veludo tecnológico e tecidos planos, com forte presença de produção nacional combinada a seleções importadas.
Visualmente, a coleção aposta na força do essencial. O preto e branco predominam em cerca de 80% das peças, criando uma base elegante e atemporal. Pontos estratégicos de azul e vermelho surgem para trazer ritmo, enquanto o dourado adiciona brilho e uma luminosidade sutil, quase energética.

Os elementos gráficos são um dos grandes destaques: olhos, recortes e efeitos ópticos aparecem como símbolos de presença e identidade. Mais do que estética, funcionam como linguagem, uma forma de materializar aquilo que normalmente permanece invisível.
A influência das fases da lua costura toda a narrativa da coleção. Seus ciclos inspiram volumes, movimentos e até nomes de peças, como os vestidos Céu, Sky e Galaxy, que sintetizam essa atmosfera quase cósmica proposta pelo estilista.
Nos acessórios, a marca reforça seu DNA colaborativo com a parceria com a Ryzí, apresentando bolsas que dialogam diretamente com o conceito da coleção. Entre elas, a Bolsa Lua, inspirada nos ciclos lunares; a Bolsa Estrela, com construções geométricas; e a Maxi Bolsa Tridimensional, que une design e funcionalidade em uma peça versátil.
Outras parcerias incluem a Nadine, nos tricôs, a Duah, nas joias, e a Le Borô, nos calçados, ampliando a construção coletiva que sustenta o projeto.
Mas talvez um dos pontos mais interessantes esteja na proposta de acesso. Ao abrir o desfile não apenas para convidados, mas também para visitantes do museu, a marca promove uma aproximação real entre moda e público. Estudantes, admiradores e curiosos poderão acompanhar o desfile a partir do vão livre, reforçando a ideia de democratização da experiência estética.
Mais do que apresentar uma coleção, CHAOUICHE propõe um novo olhar, sobre o espaço, sobre o vestir e, principalmente, sobre si mesmo.
Em um momento em que tudo parece direcionar o olhar para fora, “Olhar Interior” surge como um convite silencioso, porém potente: o de revisitar aquilo que nos constitui por dentro.
E talvez seja exatamente aí que reside sua maior força.